Salvação de graça?

O assunto da salvação sempre foi um dos temas mais controversos desde o início da história humana (basta voltarmos o olhar para o Éden e para a história de Caim e Abel). Ao contemplarmos o estudo do Antigo e Novo Testamentos encontramos diversas passagens e eventos que servem de apoio às várias “teologias” e hermenêuticas que divergem, às vezes sutilmente, da visão bíblica (e do próprio Cristo) do que é salvação, o que ela implica e como somos salvos.

  Semanticamente, essas duas frases possuem significados sensivelmente diferentes: salvação de graça (a preposição ‘de’ dá ao nome uma característica particular) e salvação pela graça (dá o sentido de salvação ‘em função de’, ‘através de’, ‘em razão de’). Mas não precisamos recorrer à Língua Portuguesa para entender o que a Bíblia faz questão de clarificar: a salvação é pela graça e em momento algum do relato bíblico temos afirmado que é sem custo.

  Mas a graça não é de graça? Sim! A graça é o dom gratuito de Deus, mas a obra salvífica de Cristo é claramente descrita em Mateus 1:21: “[…] porque Ele (Cristo) salvará o seu povo dos seus pecados”. Em razão de nossa natureza pecaminosa o processo de salvar dos pecados nos é caro pois envolve conflito. Cristo sentiu essa luta quando tomou sobre os ombros os pecados do mundo inteiro e pagou infinito preço por nossa salvação. Abraçar esse sacrifício envolve tremendas lutas que levou o próprio apóstolo Paulo a exclamar: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rom. 7:24).

  A salvação teve um preço para o Céu e tem um custo para cada alma que aceita a graça perdoadora, capacitadora e salvadora de Cristo. Paulo em seus escritos aborda os temas da reconciliação, do novo nascimento e da regeneração como sendo elementos da obra salvífica de Cristo por nós e em nós. Todos esses temas demandam do pecador a maior renúncia: a entrega do eu. Abrir mão do controle da própria vida e depositar o mesmo nas mãos do Criador é uma constante na vida cristã e isto não se realiza sem lutas. Foi nesse sentido que Jesus alertou a multidão que o ouvia em Lucas 14: 25 a 33. Nessas passagens Jesus expõe os quatro grandes princípios que devem reger a vida do crente a partir do momento em que ele decide aceitar a graça de Deus:

  1. Há uma cruz a ser levada por toda alma;
  2. O custo de seguir o Mestre deve ser calculado cuidadosamente;
  3. As ambições pessoais devem ser colocadas sobre o altar de sacrifício e
  4. O espírito de sacrifício deve ser permanente.

  Quando Cristo fala às sete igrejas no Apocalipse Ele diz: “ao que vencer…” serão concedidas determinadas bençãos. Logo, os crentes de todas as épocas são desafiados para a luta e os custos do conflito são evidentes. Paulo esboça essa ideia ao aconselhar Timóteo a combater o bom combate da fé (1 Tim. 6:12). Quando o ser humano aceita o dom gratuito de Deus (graça como princípio ativo, justificador e santificador) ele assume o posto como bom soldado de Cristo e o seguir as ordens de seu Comandante depende seu destino eterno. Neste sentido, a salvação que nos é oferecida na cruz vem através da graça e demanda de nós o custo de descentralizar a vida ‘do eu’ para centralizar no Autor da salvação. Isso é salvação pela graça!

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