O que aconteceu no Calvário?

 O QUE ACONTECEU NO CALVÁRIO?

O que aconteceu com o nosso querido Salvador — simplesmente não conseguia entender. Não tinha ideia da relação existente entre Sua morte e nossa salvação eterna. Legalista como era, cria que se eu agisse corretamente em tudo, com certeza seria salvo. No entanto, eis o grande problema: “Como poderia agir corretamente sem Cristo?”
 
Uma vez que eu era quase totalmente ignorante acerca do Evangelho de Cristo, duas opções surgiram diante de mim: 1) Fingir que agia corretamente; ou 2) Reconhecer a minha verdadeira condição e me desesperar com respeito ao meu futuro eterno. Esta segunda opção se tornou minha realidade espiritual. Mais tarde, estudando profundamente o evangelho, vim a entender que, se Cristo tivesse descido da cruz, não haveria esperança de salvação para a humanidade. Por que não?
 
Para entender o profundo significado do Calvário, precisamos levar em conta dois pontos essenciais:
1) A condição de vida eterna;
2) A natureza do pecado.
                         
A CONDIÇÃO DE VIDA ETERNA
 
Quando Adão e Eva foram criados, receberam a imortalidade sob a condição de perfeita obediência à Palavra de Deus. Para ter acesso permanente à árvore da vida, precisavam desenvolver um caráter em total harmonia com Deus, por meio de perfeita e perpétua obediência à Lei divina. Certamente possuíam imortalidade condicional, desde que comessem da árvore da vida. E Deus os capacitou para serem filhos perfeitamente obedientes. No entanto, ao transgredirem a expressa ordem de Deus e comerem do fruto proibido, foram condenados à morte eterna. “O salário do pecado é a morte [eterna]” (Romanos 6:23).
 
A transgressão de nossos primeiros pais criou dois grandes problemas para o governo de Deus:
 
a) Eles não desenvolveram caráter perfeito, o que era a condição básica para a vida eterna. Agora, como pecadores corrompidos, não conseguiriam obedecer perfeitamente aos mandamentos de Deus. Tornaram-se pecadores e mortais.
b) Ao quebrarem os preceitos divinos, tornaram-se devedores à Lei eterna. Sua transgressão poderia ser quitada apenas pelo próprio Criador. 
 
Para salvar o homem do abismo do pecado e de toda a sua terrível consequência, Cristo foi escolhido 
para Se tornar homem, desenvolver o caráter perfeito que Adão falhou em fazê-lo, e para quitar a pena do pecado, que é a morte eterna.
 
A NATUREZA DO PECADO
 
O pecado não é apenas o ato de transgredir a Lei de Deus. Quando nossos primeiros pais desobedeceram (agiram contra) a Palavra de Deus, se tornaram pecadores por natureza e por tendência. O homem fora criado à imagem de Deus. Agora, sendo um pecador por natureza, com inclinações pecaminosas, ele transmitiria suas corruptas condições aos seus descendentes. “Adão […] gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem” (Gênesis 5:3).
 
Davi declarou: “Eu nasci em iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51:5). O apóstolo Paulo confessou: “Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para frutificar para a morte. […] Eu sou carnal, vendido sob o pecado. […] mas vejo nos membros do meu corpo outra lei guerreando contra a lei da minha mente, e me fazendo escravo da lei do pecado, que está nos membros do meu corpo” (Romanos 7:5, 14 e 23).
 
A presença do pecado neste planeta corrompeu tanto o homem como a natureza. Por toda parte vemos doença, violência entre homem e animais, e morte. Quanto mais o pecado se espalha, a situação do mundo se torna mais complicada.
 
QUE SOLUÇÃO FOI PROVIDA PELA SABEDORIA DIVINA?
Após participar da ceia pascoal com Seus discípulos, tendo instituído a cerimônia do lava-pés e a Ceia do Senhor, Cristo dirigiu–Se ao Getsêmani. Chegando àquele lugar, foi acometido por terrível angústia. O
que estava acontecendo com o Filho de Deus? O pecado de um mundo inteiro foi posto sobre Ele. Por causa do pecado, sentiu a separação do Pai. Então, orou três vezes: “Meu Pai, se possível, afasta de Mim este cálice” (Mateus 26:39). Mas concluiu Sua súplica acrescentando as palavras de submissão ao desígnio de Deus:
 “Todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres” (Mateus 26:39). 
 
Após essa terrível provação no Getsêmani, Cristo foi preso e levado à presença de Anás, e depois a Caifás, o sumo sacerdote, a Pilatos, a Herodes, depois retornando a Pilatos, e da sala de julgamento do governador romano, foi levado ao Gólgota. “‘Para santificar o povo por meio do Seu sangue’, Cristo ‘padeceu fora da porta da cidade’ (Hebreus 13:12). Por causa da transgressão da Lei de Deus, Adão e Eva foram expulsos do Éden. Cristo, nosso Substituto, sofreu fora dos limites de Jerusalém. Morreu além da porta, onde criminosos e assassinos eram executados. Plenas de significado são as palavras: ‘Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-Se maldição por nós’ (Gálatas 3:13).” “Jesus estava para ser crucificado pelos pecados humanos. Então, que sofrimento o pecador que continuasse em pecado teria que suportar? Todos os 
impenitentes e incrédulos conheceriam uma tristeza e miséria que linguagem alguma seria suficiente para expressar. “Jesus conquistou o direito de Se tornar o Defensor dos homens na presença do Pai.” “Enquanto os soldados executavam a terrível obra, Jesus orou por Seus inimigos: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’. Sua mente deixou Seu próprio sofrimento para se concentrar no pecado de Seus perseguidores e no terrível castigo que os aguardava. Nenhuma maldição foi lançada sobre os soldados que O trataram tão rudemente. Nenhuma vingança foi invocada sobre sacerdotes e príncipes, que estavam intimamente felizes pela realização de seu propósito. Sentia pena de sua ignorância e culpa. Exprimia apenas uma súplica por perdão — ‘Pois eles não sabem o que fazem’. […]“Aquela oração de Cristo por Seus inimigos abrange o mundo. Diz respeito a todo pecador, desde o princípio do mundo
 até o fim dos tempos. Sobre todos repousa a culpa de crucificar o Filho de Deus. O perdão é oferecido livremente a todos. ‘Todo aquele que quiser’ pode ter paz com Deus e herdar a vida eterna.”
 
“Jesus, sofrendo e morrendo, ouviu cada palavra dita pelos sacerdotes: ‘Salvou os outros; mas a Si mesmo não pode salvar. Se Tu és o Cristo, o Rei de Israel, desce agora da cruz, para que possamos ver e acreditar’ (Mateus 27:42). 
Cristo poderia ter descido da cruz. Mas é exatamente por não ter feito isso que o pecador tem esperança de perdão e graça diante de Deus.” Cristo foi crucificado entre dois ladrões, companheiros de Barrabás. Ao colocarem o Senhor no centro, as autoridades judaicas estavam sugerindo que Ele era o criminoso principal. Durante as seis horas em que permaneceu pendurado na cruz, sofreu terrivelmente. 
No entanto, Sua dor física foi superada pela angústia da separação de Seu Pai.
 
“Sobre Cristo, como nosso Substituto e Penhor, foi colocada a iniquidade de nós todos. Foi contado como transgressor a fim de nos remir da condenação da Lei. A culpa de todo descendente de Adão estava pressionando Seu coração. 
A ira de Deus contra o pecado, a terrível manifestação de Seu ódio à iniquidade, encheram a alma de Seu Filho com consternação. Por toda a Sua vida, Cristo demonstrara a um mundo caído a boa nova da misericórdia do Pai e Seu amor perdoador. Seu tema era a salvação para o principal dos pecadores. Mas agora, com o terrível peso da culpa 
sobre Si,  não consegue ver a face reconciliadora do Pai. A ocultação do rosto divino nessa hora de angústia suprema atravessou o coração de Cristo com uma tristeza que jamais será totalmente compreendida pelo homem. Desse modo, 
tão grande era essa agonia que a dor física mal foi sentida.”
 
Embora Cristo jamais tivesse cometido um pecado, tornou-Se pecado (por imputação [atribuição]), em favor do mundo inteiro. “Aquele [Cristo] que não conheceu o pecado, Deus O fez pecado por nós, para que nEle nos tornássemos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).Onde estava o Pai durante a terrível provação que Cristo enfrentou enquanto estava pendurado na cruz? “A presença de Deus estava oculta naquela escuridão. Ele faz das trevas o Seu esconderijo, e oculta Sua glória dos olhos humanos. Deus e Seus santos anjos estavam ao pé da cruz.
 
O Pai estava com Seu Filho. No entanto, Sua presença não foi revelada. Caso Sua glória tivesse brilhado rapidamente da nuvem, todo observador humano teria sido destruído. E naquela hora terrível, Cristo não deveria ser confortado com a presença do Pai. Ele pisou sozinho o lagar, e dos povos, nenhum havia com Ele.” Qual era o objetivo do terrível sofrimento do Filho de Deus?
 
Duas finalidades principais estavam envolvidas na missão de Cristo na Terra:
1. Revelar o caráter amoroso e justo de Deus;
2. Salvar pecadores.
 
“O imaculado Filho de Deus pendia da cruz, a carne lacerada pelos açoites; aquelas mãos tantas vezes estendidas para abençoar, pregadas ao lenho; aqueles pés tão incansáveis em serviço de amor, cravados no madeiro; a régia cabeça ferida pela coroa de espinhos; aqueles trêmulos lábios entreabertos para deixar escapar um grito 
de dor. E tudo quanto sofreu — as gotas de sangue a Lhe correr da fronte, das mãos e dos pés, a agonia que Lhe atormentou o corpo, e a indizível angústia que Lhe encheu a alma ao ocultar-se dEle a face do Pai — tudo fala a cada filho da família humana, declarando: É  por ti que o Filho de Deus consente em carregar esse fardo de culpa; por ti
Ele destrói o domínio da morte, e abre as portas do Paraíso. Aquele que impôs calma às ondas revoltas, e caminhou por sobre as espumejantes vagas, que fez tremerem os demônios e fugir a doença, que abriu os olhos cegos e chamou os mortos à vida — ofereceu-Se na cruz em sacrifício, e tudo isso por amor de ti. Ele, o que leva sobre Si os pecados, sofre a ira da justiça divina, e torna-Se mesmo pecado por amor de ti.” Louvamos a Deus porque Cristo, em Sua natureza humana, foi totalmente bem sucedido em Sua missão de resgate.
 
ESTÁ CONSUMADO
Essa expressão é cheia de significado.
Apesar do sofrimento, zombaria, tortura e extrema angústia que nenhum ser humano análise, os perdidos), Cristo foi 
vitorioso sobre o pecado e Satanás. “Para os anjos e os mundos não caídos, o brado: ‘Está consumado’ teve profunda significação. Fora em seu benefício, bem como no nosso, que se  operara a grande obra da redenção. Juntamente conosco, compartilham eles os frutos da vitória de Cristo. “Até à morte de Jesus, o caráter de Satanás não fora ainda claramente revelado aos anjos e mundos não caídos. O arquiapóstata se revestira por tal forma de engano, que mesmo os santos seres não lhe compreenderam os princípios. Não viram claramente a natureza de sua rebelião.”
 
“Por meio de Jesus, foi a misericórdia divina manifesta aos homens; a misericórdia, no entanto, não pôs de parte a justiça. A Lei revela os atributos do caráter de Deus, e nem um jota ou til da mesma se podia mudar, para ir ao encontro do homem em seu estado caído. Deus não mudou Sua Lei, mas sacrificou–Se em Cristo, para redenção do homem. ‘Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo’ (2 Coríntios 5:19).” “A lei requer justiça — vida justa, caráter perfeito; e isso não tem o homem para dar. Não pode satisfazer as reivindicações da santa lei divina. Mas Cristo, vindo à Terra como homem, viveu vida santa, e desenvolveu caráter perfeito. Estes oferece Ele como dom gratuito a todos quantos o queiram receber. Sua vida substitui a dos homens. Assim obtêm remissão de pecados passados, mediante a paciência de Deus. Mais que isso, Cristo lhes comunica os atributos divinos. Forma o caráter humano segundo a semelhança do caráter de Deus, uma esplêndida estrutura de força e beleza espirituais. Assim, a própria justiça da lei se cumpre no crente em Cristo. Deus pode ser ‘justo e justificador daquele que tem fé em Jesus’ (Romanos 3:26).”
 
“Cristo é o Senhor Justiça Nossa. Tomemos posição ao Seu lado. Que ninguém sinta vergonha de reconhecê-lO como seu Líder, seu Conselheiro, seu Guia, e sua grande recompensa. Fazer isso significa sacrificar alguma coisa? É uma honra fazer parte do exército de Satanás? Os que escolhem fazer parte dele é que não ganham nada. Apenas a morte, a morte eterna os aguarda.” Paulo sabia muito bem o significado do Calvário, quando declarou: “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14) .

um comentário

  1. Laura Mills disse:

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